quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Provérbio



 Existe, no Rio de janeiro, um sujeito muito esperto chamado Evaldo. Mais conhecido pela alcunha de Mosca, apelido adquirido por causa da baixa estatura. É um policial conhecido por lá, na rede de tráfico, por causa da sua malandragem. Ele consegue identificar de longe uma “distribuidora de drogas” e seus respectivos “funcionários”.
 Tutu também é um cara famoso lá na favela. Ele é um traficante pé de chinelo, que não tem um pingo de atenção, e vive se atrapalhando com as coisas.
 Um belo dia, o chefão do tráfico local chamou o Tutu e disse que desconfiava que o Mosca estava rondando a região, querendo descobrir onde funcionava a boca de fumo. A missão dada era simples: se Tutu encontrasse o policial rondando por ali, encheria o coitado de bala.
 Essa ordem era lei para Tutu, e ele, mais que rapidamente, foi botá-la em prática. Depois de uma semana de puro tédio, Mosca apareceu na boca, fantasiado de traficante. Segundo a gíria do morro, foi logo perguntando se tinha “mercadoria” naquele “comercio”. Tutu, ingenuamente ou por pura burrice, achou que Mosca se referia ao Mercado do Pito, que funcionava ali antes de falir e virar ponto de tráfico, disse que aquele comércio havia fechado. Mosca riu, revelou sua verdadeira identidade, e disse:” Graças a Deus começaram a fechar os pontos de drogas por conta própria. Tô cansado de fazer isso” e se foi. Tutu, gelado após o susto, pensou: “Bem que me disseram que em boca fechada não entra mosca”.  

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